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Cascata da Fórnea

Assim como há pessoas que percorrem quilómetros para comer cozido ou leitão mantendo alerta o paladar e o olfacto, outras há que percorrem quilómetros para estar ao pé de cascatas, despertando mais a audição nos sons da natureza. Embora ambas desviem a atenção para padrões exteriores, as razões de umas são diferentes das razões das outras. Eu prefiro cascatas. Particularmente as mais escondidas. E faço quilómetros para tirar partido da sua companhia. Das cores que a humidade perto não deixa amarelejar.

É uma visão idílica comprometida com o som da água, com o bem-estar associado a sentimento de clareza. Fisiologicamente explica-se porque há um aumento da reacção do sistema nervoso parassimpático, aquele que ajuda o corpo a relaxar, que apazigua o stress. O curioso é que esta reacção é tanto maior quanto as pessoas sofram menos de stress. O que quer dizer que devo relaxar antes de ir. Desocupar a mente de coisas que não controlo.

A Cascata da Fórnea é imprevisível porque a maior parte do ano está seca. Tive de esperar dias seguidos de chuva para que o caudal da água no subsolo fosse suficiente para subir à superfície, despontar com esta pujança e permitir que a humidade tomasse conta deste enorme anfiteatro calcário do tempo do Jurássico inferior e médio.












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