Cá do alto tudo parece igual. A estrada mantém-se íngreme e estreita interrompida no olhar apenas pelas árvores que escondem os ziguezagues das curvas apertadas. A cor negra dos telhados contínua uniforme sem se deixar destoar. Descubro mais á frente que me falta o nevoeiro e o frio. O sol e a frondosidade das árvores diminuem a rudeza do caminho e a importância do espaço. As filhas do casal que ali explora o único restaurante mantêm-se sentadas exactamente no mesmo canto a f azer diferentes trabalhos de casa igualmente em cadernos exemplarmente escritos e conservados como se o tempo tivesse parado entre as minhas memórias, uma coincidência que me faz sentir dois anos mais novo. A antiga porta estreita foi trocada por uma frondosa abertura que melhor deixa passar o sol e, talvez por isso, tenha sentido a falta do nevoeiro que ao ir-se embora levou consigo os enormes garrafões de vidros que conservavam e exibiam as chouriças em azeite. Aqui e ali dou conta das disputas que ...
Se em algum dia conseguir expressar o que sinto nestes lugares posso morrer sem medos. Tento-o sempre baixinho não vá a morte resgatar-me à felicidade