Avançar para o conteúdo principal

Ruta Del Cares - Caín - Poncebos

Não há muito a dizer sobre a Ruta Del Cares. Fomos lá pela segunda vez e, embora tivéssemos deixado para trás o espanto, o fascínio parece ser maior.

Desta vez decidimos dormir em Caín e regressar no dia seguinte a Poncebos. De forma que o caminho fez-se pausado.

Já nos tínhamos esquecido de como é sofrido aquele inicio de 2 km a subir e em troços com muita pedra solta. Quem não sabe o que nos espera depois é de desistir logo ali. 





Chegando cá acima abre-se a vista aquele desfiladeiro imenso. Garganta Divina, é como se chama. O que se percebe porque o trilho, rasgado na pedra, vai desaparecendo ao longe e só nos dá a perceber da sua beleza à medida que o vamos percorrendo.



Os Picos da Europa é uma formação montanhosa calcária cujos pontos mais elevados se situam acima dos 2.500m. São na verdade formações geológicas muito idênticas às que existem na Serra D'Aire e Candeeiros, bastante porosas e percorridas internamente por grutas e tuneis por onde escoa água em grandes canais subterrâneos.

A dimensão é que é de outra escala, como se pode ver nas fotos seguintes:






A origem deste percurso está na construção de um canal que leva a água do Rio Cares de Caín de Valdeon até à Central Hidroeléctrica de Poncebos, numa distância de 12,5km. Caín situa-se a uma altitude de 460m e Poncebos a cerca de 280m. Este canal apenas é visível em alguns pontos. Este ano, por ter nevado mais no inverso, levava muito mais água. A corrente é impressionante e perigosa.




Na verdade este ano a água do degelo atrasado corria com muito mais abundância. Isso foi percebido numa cascata que nunca tínhamos visto, e numa boca de água bem fresca e de um sabor a que não estamos habituados.



É pelo verde mais intenso e extenso que nos apercebemos que estamos próximos de Caín. Mais à quota do Rio Cares, o povoado aparece-nos escondido por uma zona florestal, depois de penetrar-mos nos rasgos feitos na pedra que, à luz do telemóvel, percorremos, fugindo dos pingos que caiem por todo o lado.





Caín de Valdeón é um pequeno povoado com restaurantes e albergues abertos todo o ano. Aliás, a Ruta Del Cares pode ser percorrida em qualquer altura porque a sua quota baixa não permite a acumulação de neve. Nós ficámos no Hostal La Ruta que aconselhamos vivamente e que tem vista para o moinho de Caín. 


Aqui o Rio Cares vai largo antes de entrar no desfiladeiro e a localização entre montanhas dá-lhe um ambiente perfeito para descansar. Acresce a sensação óptima de ver as pessoas a chegar e a partir deixando á nossa imaginação as suas historias de percurso. Como aquele grupo que no final, ao chegar a Caín, formaram duas filas, frente a frente uns dos outros e, com os bastões de caminhada levantados a tocarem-se, faziam-se passar um a um por baixo, ao som de cantigas e risos, percorrendo a rua principal da localidade.






De carro, Caín de Valdeón fica a cerca de 100 km de Poncebos, mais ou menos 2 horas de viagem, mas apenas a 12,5km pela Ruta Del Cares. Esta é linear, pelo que a logística não é fácil para quem não a quiser fazer de ida e volta. Há táxis que levam entre 100 e 130€. Nós sem a ter programado tomámos a alternativa de a fazer em jipe 4x4 e foi uma experiência fantástica. Pagámos 35€ por pessoa. O percurso foi praticamente feito por trilhos que ligaram Caín - Pousada de Valdeon - Puerto D'Avila - Fuente Dé - Sotres e Espinama. Devido a uma trovoada imensa não podemos apreciar a parte do percurso na zona de maior altitude, devido a nuvens, mas aquele vale glaciar que liga Ávila e Sotres não conhecíamos e ficámos com muita vontade de lá voltar.







E iremos voltar porque os Picos da Europa é um dos sítios mais fantástico que conhecemos e onde nos sentimos muito bem.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Rota dos Tuneis - Camino de Hierro

A portuguesa “Rota dos Tuneis” passou definitivamente a “Camino de Hierro - Ruta de Túneles y puentes” porque está agora, irremediavelmente, concessionada à exploração e gestão espanhola. E ainda bem porque, nestas coisas e em tudo o que é património, os nossos vizinhos não brincam.  Estamos a falar dos 17 km da  desactivada Linha do Douro, construída em 1887, totalmente percorridos em território espanhol. Esta linha de caminho de ferro que iniciava em Ermesinde e terminava em Barca D’Alva seguia para o lado espanhol, sobre o Rio Águeda, até La Fregeneda para dar lugar à rede ferroviária que ligava esta pequena vila a Salamanca. Está desativada desde 1985. O risco do percurso foi substancialmente reduzido com o melhoramento das travessias das pontes e a colocação de protecção em madeira nalguns pontos críticos. Para além disso colocaram casas de banho no 11ºkm e alocaram ao trilho recursos humanos e materiais que nos dão uma sensação de segurança ao longo dos 17 km. ...

Trilho Panorâmico do Tejo

O Trilho Panorâmico do Tejo é um percurso linear, com cerca de 10 Km. Podendo ser percorrido em ambos os sentidos, iniciámos o mesmo junto ao Fluviário de Constância, do lado de cá da Ponte de Ferro sobre o Rio Zêzere. Este percurso pode ser iniciado com uma visita à vila de Constância que se encontra muito bem cuidada e merecedora disso mesmo. Como já lá tínhamos ido anteriormente, há bem pouco tempo, dispensámo-lo, não porque não valesse a pena, mas porque estávamos limitados no tempo. Iniciámos por volta das 9h45. Este trilho é partilhado, em algumas partes, principalmente neste início, com um circuito de BTT, podendo, em alguns pontos se tornar perigoso. Não foi o nosso caso porque o alagamento de algumas partes, devido ao aumento de caudal do rio Tejo, impossibilitava a passagem das bicicletas. Entre o inicio do percurso e a Ponte da Praia do Ribatejo, cerca de 1 km, o trilho faz-se em single track, num troço que, para nós, é o mais bonito do percurso e que, no verão, se torna...

Passadiços do Orvalho

  Visita efectuada em 15/08/2020 A aldeia do Orvalho situa-se em plena Beira Baixa, no concelho de Oleiros, cuja freguesia delimita geograficamente os concelhos de Castelo Branco, Fundão e Pampilhosa da Serra. A freguesia do Orvalho insere-se no Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, património da UNESCO, território que combina a protecção e a promoção do património geológico com o desenvolvimento local sustentável. Em 2017 todo o Vale das Fragosas esteve cercada pelas chamas, vestígios que ainda hoje se notam mas que, felizmente, o verde já esconde. Os novos Passadiços do Orvalho fazem parte do Percurso Pedestre PR3 OLR – GeoRota do Orvalho e foram construídos como monumento dinamizador desta região mostrando todo o esplendor morfológico da Serra do Muradal permitindo que as pessoas consigam chegar a locais impossíveis de alcançar e extasiarem-se com as vistas magníficas. O percurso oficial é de mão única, com cerca de 9 km, mas há uma alternativa circular somando mais 2,5 ...